sexta-feira, 23 de julho de 2010

De alma e corpo

Encosto-me a estas palavras agridoces, sinto uma cama por debaixo deste corpo cansado, todas estas sílabas almofadas que tento suspirar encaminham-me ao repouso. Este templo mortal mal consegue silenciar-me a alma, de tão triste, de tanto cuspo atirado. Tantos risos que tentaste esboçar por entre rugas triste carcaça... Tantos sonhos tiveste que aguentar, que não eram teus. Sofreste tantos massacres que não merecias, que ela te causou, esta fonte incansável, insaciável , que vive jovem dentro de ti. Nunca pudeste cair sobre tantas palavras de conforto, como pudeste hoje. Lágrimas entre os sons da noite, sobre a cama, sobre uma cabeceira que acolhe a Lua, o calor aveludado que te cobre. Descansa agora enquanto ela permanece esgotada, descansa pobre engelhado, acaricia hoje o rosto deste pobre alma diminuída, que ela hoje não quer ser livre. Hoje, até ela pode precisar de dormir a teu lado, aquece-a pois hoje não tenho chama para lhe dar, nem ela a vontade para me oferecer. Hoje, eu só quero que o sono se avizinhe. E Lua trá-lo depressa.

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