quinta-feira, 22 de julho de 2010


Ao pé de ti a vida tornava-se um retrato querido A música tornava-se um coração alegre Vibrante, por onde o sangue quente batia Ganhava magia, fervia-me a boca Corava e deste belo piso fugia Agarrava cada grão de terra por debaixo dos pés Que caminharam tanto em tão pouco tempo Ao teu lado. Ao teu lado sujava-me, a vida tingia-se de cores em pó E esta poeira não quer assentar quando danço contigo. Mancha-me o vestido de paixão. Um chamamento escaldante que sai do meu peito Por ti e só por ti. Dança comigo, outra vez Só quero estar contigo! Aperta a minha mão, Aperto os teus dedos contra os nós dos meus! Vamos voar contra o vento Violentamente e docemente... Este fim de tarde fervoroso Deixa-me a alma em fogo Aperta-me pela cintura! Rasga qualquer pudor A cada passo que damos. Os teus sapatos polidos Mal têm um vingo, um desgaste Vem enterra-los em pedras de calçada E não importa onde vamos. Irei puxar-te, Para sempre chamar-te. Eu quero, vem cuspir no oceano A essência desta vida, da nossa... Vem ver o azul que em nós brilha! Tão transparente... Trespassa cada poro da minha pele, Amarra-me! Domina e aceita cada parte selvagem que tenho Agarra-me firmemente! Aperta com mais força a minha mão Nunca te vou deixar Este mundo não aguenta a violência que sinto Corre por debaixo da minha pele. Quase cuspimos o coração Gritando tão impiedosamente Torna este sonho uma duna de sabores apimentados, Insuportável, viciante e bonita. Deita-me nesta rochas, Estas penas, estes véus ocultos, escuros, Em vacilos, Que cobrem a areia, areia púrpura Cobertas de sal e cheiro a maresia... Leva-me a vales, a savanas, cascavéis! Que este veneno saiba bem por entre cada veia! Faz amor, sorri para mim, Vem comigo conhecer as histórias que nos criaram. Vive comigo intensidades inconcebíveis! Observa cada muralha cada rua desta terra estonteante. Temos Deus a nossos pés... Sobre a nossa cabeça! Em cada emoção arrepiada! Sinto um sabor a mel Que cascata de sentimentos sumptuosos! Vou cair e acabar com um coração defeituoso Pesado de viver tão exaltadamente, profundamente, febrilmente. Não aguento tanto deste deleitoso excesso! Terei a tua mão como posse, o teu corpo como presença E o teu espírito ao meu abraçado, Num laço de infinito. Um universo esmagado Por tanto e numa existência tão insignificante. Cálice de labaredas no qual só quero dar A provar aos meus lábios, os teus. Varre apenas por um ápice este clarão Este turbilhão que trouxeste aos meus braços! E depois podes-me tomar conta de cada passo... Arrastar-me-ei contigo Atraíste-me e eu sou tua.

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